Mastopexia cresce 48% entre as mulheres: o que os dados da ISAPS revelam sobre a busca por resultados duradouros
A ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) divulgou, em sua Global Survey 2025, um dado que chama atenção: a mastopexia — cirurgia de elevação das mamas — foi o procedimento cirúrgico feminino com maior crescimento percentual do ano, um aumento de 48% em relação ao levantamento anterior. No mesmo relatório, os procedimentos não cirúrgicos apresentaram queda global, puxada principalmente por uma redução de 25% no uso de ácido hialurônico.
São dois movimentos que, lidos em conjunto, contam uma história: ao mesmo tempo em que menos mulheres recorrem a preenchimentos e soluções temporárias, mais mulheres optam pela correção cirúrgica da ptose mamária. Na minha experiência de consultório, esse contraste faz sentido clínico. Procedimentos não invasivos como o ácido hialurônico têm boa indicação para repor volume em áreas específicas, mas não corrigem a flacidez da pele nem reposicionam a glândula mamária quando há ptose relevante — e, com o tempo, muitas pacientes percebem que a solução temporária não resolveu a queixa de origem.
Esse padrão também dialoga com o que a ASPS (American Society of Plastic Surgery) descreveu em seu relatório estatístico de 2025, no qual o crescimento das cirurgias nos Estados Unidos foi liderado por procedimentos de lifting corporal e facial — uma tendência que a própria entidade chamou de busca por “restauração” após emagrecimento, gravidez ou envelhecimento, em vez de transformação radical. Observo o mesmo movimento nas mamas: grande parte das pacientes que me procuram para mastopexia não busca aumentar o volume, busca recuperar um posicionamento que existia antes — depois de amamentação, variações de peso ou simplesmente pela ação do tempo.
Quando a mastopexia é indicada
A ptose mamária é avaliada clinicamente pelo posicionamento do complexo areolopapilar em relação ao sulco mamário, e não apenas pela percepção estética da paciente. É essa avaliação — presencial, individualizada — que determina o grau de ptose e, a partir dela, a técnica mais adequada. Nem toda queixa de “mama caída” é mastopexia pura; em muitos casos, a combinação com prótese de silicone é o que permite tratar simultaneamente o posicionamento e o volume, quando a paciente também relata perda de preenchimento no polo superior da mama.
Na minha prática, essa decisão entre mastopexia isolada ou associada a prótese costuma depender menos do desejo por volume maior e mais da anatomia encontrada no exame físico: espessura de pele, qualidade do tecido glandular e grau de flacidez. Converso esse raciocínio abertamente com cada paciente, porque a técnica certa é a que responde ao que o exame mostra, não a uma preferência isolada por mais ou menos volume.
Cicatrizes e durabilidade: expectativas que precisam ser conversadas
Um ponto que considero central em qualquer consulta sobre mastopexia é alinhar expectativas sobre cicatriz e durabilidade do resultado. A técnica envolve incisões — cujo desenho varia conforme o grau de ptose — e isso significa cicatriz permanente, ainda que com tendência a amadurecer e clarear ao longo dos meses. Não é uma informação que costumo suavizar: é parte do que a paciente precisa decidir conscientemente ao optar pela cirurgia em vez de uma alternativa não invasiva.
Quanto à durabilidade, vale reforçar algo alinhado à literatura da área: nenhuma cirurgia interrompe o processo natural de envelhecimento dos tecidos. A ação da gravidade, novas gestações ou variações de peso significativas podem alterar o resultado obtido ao longo dos anos. Na minha experiência, esse é um dos pontos mais importantes da consulta inicial — explicar que o resultado da mastopexia tem um horizonte de estabilidade, não uma promessa de resultado definitivo e imutável.
O crescimento registrado pela ISAPS reflete, a meu ver, uma mudança real na forma como as mulheres avaliam suas opções: cada vez mais, buscam entender a diferença entre o que uma solução temporária pode oferecer e o que apenas um procedimento cirúrgico, bem indicado após avaliação clínica, é capaz de corrigir de fato.
Cada caso de ptose mamária tem um grau e uma anatomia próprios. A avaliação presencial é o que permite indicar se a mastopexia isolada, associada à prótese, ou mesmo uma alternativa não cirúrgica é o caminho mais adequado para o seu caso.
Dr. Filipe Canal Moura
CRM-ES 10568 | RQE 10249