Blefaroplastia é a cirurgia estética mais realizada do mundo, segundo ISAPS 2024: o que isso significa na prática
A pesquisa global anual da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery), divulgada em 2024, trouxe um dado que chamou atenção de quem acompanha o setor: pela primeira vez, a blefaroplastia — cirurgia de pálpebras — ultrapassou a lipoaspiração e se tornou o procedimento cirúrgico estético mais realizado no mundo. O levantamento contabilizou mais de 17,4 milhões de procedimentos cirúrgicos e 20,5 milhões de não cirúrgicos em 2024, com o total de intervenções estéticas crescendo 42,5% nos últimos quatro anos.
Na sequência da blefaroplastia, aparecem lipoaspiração, aumento de mama, revisão de cicatrizes e rinoplastia. É um reposicionamento relevante dentro do ranking histórico da especialidade, e reflete, a meu ver, uma mudança de prioridade estética que vale a pena entender com calma.
Por que a região dos olhos ganhou tanto espaço?
Na minha experiência, observo que a região periocular costuma ser uma das primeiras a expressar sinais de envelhecimento — excesso de pele na pálpebra superior, bolsas de gordura na inferior e, em alguns casos, impacto até no campo de visão. É uma área muito exposta ao olhar do outro, o que talvez explique por que tantos pacientes priorizam essa correção antes de outras.
O dado da ISAPS não contradiz o que a SBCP e a ASPS já vinham sinalizando em anos anteriores: a busca por procedimentos faciais, de forma geral, vem crescendo de maneira consistente. A blefaroplastia se soma a esse movimento, com a particularidade de ser um procedimento de recuperação relativamente previsível quando bem indicado.
O Brasil segue como protagonista global
Segundo o mesmo levantamento ISAPS 2024, divulgado pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), o Brasil realizou cerca de 2,35 milhões de cirurgias plásticas no período — e, somando procedimentos minimamente invasivos como toxina botulínica e preenchimentos, o total ultrapassa 3,1 milhões de intervenções no país. Isso reforça algo que já era conhecido: o brasileiro tem familiaridade e interesse consolidado pela cirurgia plástica, o que na minha prática se traduz em pacientes que costumam chegar ao consultório com informação prévia, mas nem sempre com expectativas totalmente alinhadas ao que o procedimento pode oferecer.
Indicações: quando a blefaroplastia faz sentido
De forma geral, a blefaroplastia é indicada para tratar excesso de pele nas pálpebras superiores, que pode inclusive interferir no campo visual periférico, e/ou herniação de gordura (bolsas) nas pálpebras inferiores. Também pode ser associada a técnicas de rejuvenescimento facial mais amplo, dependendo da avaliação individual.
Na minha experiência, observo que pacientes costumam procurar a cirurgia motivados por dois fatores distintos: um funcional, quando o excesso de pele já atrapalha a visão, e outro estético, ligado à percepção de cansaço ou envelhecimento no olhar — mesmo quando não há alteração funcional relevante. Diferenciar essas motivações no consultório é parte importante do planejamento cirúrgico.
Técnica e recuperação: expectativas realistas
A técnica varia conforme a região tratada (pálpebra superior, inferior ou ambas) e o grau de flacidez e volume a corrigir. De maneira geral, o pós-operatório envolve edema e equimose (roxidão) nos primeiros dias, com evolução progressiva nas semanas seguintes — o tempo exato de recuperação varia de paciente para paciente e deve ser discutido individualmente na consulta.
Um ponto que considero central na prática clínica: a blefaroplastia trata sinais específicos de flacidez e volume periocular, mas não substitui outras abordagens quando o envelhecimento facial é mais global. Nesses casos, a avaliação conjunta com outras técnicas — como as citadas em relatórios da ASPS sobre a procura crescente por procedimentos faciais complementares — pode ser parte da conversa, sempre de forma individualizada.
Considerações finais
O dado da ISAPS 2024 é relevante porque mostra uma tendência global consolidada, não uma moda passageira. Ainda assim, cada caso de flacidez ou volume periocular tem características próprias — quantidade de pele, posição da sobrancelha, tônus muscular, entre outros fatores — que só uma avaliação presencial permite considerar com segurança.
Se você tem dúvidas sobre se a blefaroplastia é indicada para o seu caso, o caminho mais seguro é uma consulta para avaliação individual, onde é possível discutir técnica, expectativas e tempo de recuperação de forma personalizada.
Dr. Filipe Canal Moura — CRM-ES 10568 | RQE 10249